quinta-feira, 16 de junho de 2016

The Raven Bar







Pequeno, atraente e cheio de personalidade, é o The Raven Bar. Perto da Avenida Paulista, tornou-se o ponto preferido dos executivos da região, órfãos do antigo Manhattan, no prédio do City Bank. Lá eles se encontram ao final do expediente, para trocar idéias e saborear alguns uísques exclusivos. O nome do lugar é referência a um poema marcante da literatura inglesa – O Corvo – de Edgar Allan Poe. Dica para os amantes de livros: também é argumento do  excelente policial Impressões e Provas, de John Dunning (R$ 42 – Companhia das Letras, 1996).


Tudo no The Raven é compacto. Uma pequena escada de madeira, correndo ao lado do terraço, dá acesso ao ambiente principal, em que o sóbrio balcão, com três confortáveis cadeirões, é o personagem principal. “Quem senta aqui pela primeira vez, e começa a examinar as garrafas, logo se surpreende!, diz o gerente Pedro Ferraz. Pois, os uísques ali expostos saem do padrão convencional, para atender aos paladares mais sofisticados. Um único standard – Red Label (R$ 10) – acompanha uma primorosa seleção de single malts, para  bolsos recheados: entre outros, Glenmorangie e Talisker 10 anos; Scapa e The Belvenie 12 anos; Glenfidich 15 anos (todos a R$ 25). Uma pequena série a ser  aprovada pelo empresário Clive Vidiz, presidente da Associação Brasileira de Colecionadores de Whisky (ABCW), e – segundo o Guinness Book of Records – o maior colecionador do mundo.    


A ambientação é inglesa (algo raro quando os pubs seguem a tendência irlandesa) com um salão de jogos no piso superior: snooker e pebolim (R$ 10 / cinco fichas). Música eclética: rock’n roll, jazz e funk são tocados em volume discreto, para não atrapalhar o bate-papo. “Muitos negócios são feitos; o pessoal da informática vêm muito, corretores de ações, e um importador ligado ao City faz suas reuniões aqui”, conta Ferraz.  Esse lugar calmo, sugerindo encontros mais intimistas, também tem seus momentos de festa: no último halloween fechou às 7:30 am, e no St. Patrick’s Day foi um arraso.


Outro ponto favorável é a vodka Finlândia. “Ela é filtrada 200 vezes no seu país”, ensina o barman Thiago Saltini, fazendo saltar uma do congelador para um shot (R$ 10). Caipiroska (R$ 11); caipirinha Sagatiba  (R$ 7); chopp (R$ 3,10). Cozinha: chilli nachos (R$ 13); chiken finger c/ curry (R$ 10); bolinho de queijo (R$ 8). Na prateleira de bebidas, um toque sutil do humor inglês: pequeno “museu” expõe suvenires trazidos pelos clientes, com destaque para um porta retrato em forma de mulher fatal. O rosto ainda aguarda uma foto 3X4...


The Raven Bar (o bar encerrou as atividades)       
Alameda Santos 1085
Tel: 3262-1643


Armando Serra Negra



Tubaína Bar




À toa, com uma tubaína na mão. Bar tão cosmopolitano, popular, nem chique, nem vulgar, melhor não pode ser. Saborear uma tubaína é sentir o pé na roça, convidar uma dama à contradança ao som de viola, gaita e sanfona, em forró, ou festa caipira, em dia de São João. E uma raridade na cidade grande, agora encontrada na região da “baixa Augusta”. Só podia ser... Importada diretamente do interior, o termo “tubaína” designa refrigerantes gasosos comercializados por pequenas empresas familiares e regionais, de circulação restrita e preço baixo. Há mais de cem anos à base de guaraná, hoje os xaropes se diversificaram: de limão, morango, cereja, uva e até erva cidreira, a Inca Kola (R$ 12/500ml) trazida no alforge de imigrantes andinos.


A fachada do Tubaína Bar é uma vitrina, facultando a decisão de se entrar (caso o movimento esteja animado), ou não (dificilmente). O ambiente mistura estilos adocicados, como os xaropes  das 15 marcas oferecidas. Estrutura de cimento e aço, paredes pintadas de vermelho e marrom, salpicadas de finas e eficientes arandelas, em latão, grandes espelhos de moldura entalhada dourada, bem kitsh, mesas e cadeiras simples, toscas e desparelhadas, de fórmica ou madeira, um cantinho aconchegante bric-à-brac, com sofá e poltronas, convida um pequeno grupo a ficar mais à vontade. Toaletes no mezanino, uma boa coleção de garrafas de tubaína enfeita a escada. “Nossa proposta reflete  a miscelânea cultural de São Paulo, as várias tribos, culturas e etnias mescladas, polarizadas na região da avenida Paulista, pois não há quem não passe por aqui”, diz a proprietária Verónica Goyzueta. “E como queríamos um nome para o bar que sintetizasse isso, e eu vivia falando das tubaínas da infância, acabou dando o estalo!”, sorri a sócia Daniela Rocha Campos.  Muitos pais levam as crianças ao boteco, até um certo horário, para experimentar o refresco. Foram atrás do produto, e inauguraram em junho de 2009, oferecendo apenas três rótulos. “As bebidas são regionais, e sua distribuição é muito limitada; há alguns fabricantes que trazem pessoalmente as encomendas do interior, em seus carros”. Aos poucos outros fornecedores foram aparecendo. A marca mais antiga oferecida é a piracicabana Etubaína. “Meu bisavô, Vicente Orlando, foi quem fundou a empresa, em 1913. Na época, ele também fabricava uma balinha com esse nome”, conta Eduardo Orlando, 28 anos de idade, à frente dos negócios. Ele comercializa 80 mil litros por mês, em três tipos de garrafas. “Nossa distribuição não ultrapassa um raio de 30 km ao redor de Piracicaba, e a caçulinha (190ml) é vendida, no varejo, em torno de R$ 0,50”, contabiliza. O preço sobe no boteco (R$ 3,90), não só pela exclusividade, mas também pela dificuldade logística em oferecê-lo.


Cardápio variado, as tubaínas podem acompanhar deliciosas porções de coxinha de feijão (recheadas de linguiça e bacon – R$ 18), queijo coalho à milaneza (com mel de engenho – R$ 18), ou pamonha frita (genuína de Piracicaba – R$ 15). Coquetéis: Cosmopolitam do Agreste (cachaça ou vodka, tubaína de uva, suco de maracujá, pimenta dedo de moça – R$ 15); Mojaína (versão do Mojito, com tubaína de limão – R$ 15. Quem já provou o mais tradicional e popular refrigerante brasileiro, agora pode saciar a saudade; quem nunca provou, pode saciar a vontade.  Saiba mais e participe:  http://confrariadastubainas.wordpress.com/


Tubaína Bar
Rua Haddock Lobo 74 Consolação
Tel: (11) 3129-4930


Armando Serra Negra


 

Vanilla Suplicy & Millor Café


 
 

Um namoro que dá certo: literatura e happy hour. Outro casal bem humorado é o acesso grátis à internet e um bom cafezinho. Tudo misturado, um par perfeito. Enfocando essa tendência mundial (em Sampa, oferecem o serviço o sofisticado Suplicy e o simpático Millor, entre outros), foi que dois Sérgios, o Freire – experiente em franchise de cafeterias e alimentação – e o Milano – um dos sócios da Editora Nobel – se uniram para incrementar ainda mais esse romance etílico-literário, de café e negócios. Celebrado o casamento, as duas franquias autônomas criaram um web-point,   destacando o Vanilla Café. “Somos master e estamos abertos aos interessados”, acena o primeiro Sérgio.

         Varandinha com teto retrátil à direita de quem entra (área reservada para fumantes), a equipe descontraída de garçons e garçonetes, avental cáqui, bandanas verde-escuras com orquídeas brancas estampadas, convidam ao relax. “Muitos não sabem que a vanilla – a nossa baunilha – é uma orquidácea”, comenta Freire, apontando para duas gravuras côr de rosa, que entre as plantas compõe o agradável e sossegado ambiente.

         Aberto há pouco mais de um mês, o Vanilla vem atraindo a clientela. Entre a varanda e o transado balcão do bar, com cadeirões, vitrina de doces e salgados, três telas planas de micro sobressaem. “Elas estão aí para serem usadas... mesmo que alguém peça apenas um expresso (R$ 2), pode acessá-las o tempo que quiser”. Melhor: o serviço é gratuito. Checando e enviando e-mails, de costas para a grande livraria onde se encontra de tudo:  jornais, revistas, livres de poche, best-sellers, arte, hobbies, infanto-juvenis, material de escritório, papelaria, DVDs. Papeando tranqüilamente, bebericando, é a pedida certa para não micar trabalhando em casa, mas num lugar acolhedor, pessoas simpáticas ao redor. Como a livraria e o café são parceiras independentes, uma chama o público para a outra, o segredo da nova concepção mercadológica: “Enquanto o tíquete (consumo per capita) médio da livraria é de vinte reais, o do café é de seis reais, com lucro para ambas as empresas”, contabiliza Freire. Entre lojas próprias e terceirizadas, a Editora Nobel, em 60 anos de atividade tem 130 pontos de distribuição no Brasil, 30 em São Paulo, vendendo uma média de 260 mil livros por mês. “A meta é que cada uma delas venha aparelhada com um Vanilla Café, na medida em que suas áreas permitam”.

         Os casamentos não terminam aí. No caso da Vanilla/Nobel da Oscar Freire, há uma sutil paquera com a loja ao lado, a Davidoff, separadas apenas por uma cerca viva. Enquanto uma não vende charutos (Davidoff Bundle Robusto R$ 12, Avo Intrmezzo R$ 32, Spedial R R$ 55) a outra não é estruturada para oferecer empanadas (R$ 3,60), empadas (R$ 4,80), quiches (R$ 6), docinhos (R$ 3), para seus clientes. O resultado é uma útil troca de afagos.

            A casa oferece o Orpheu, a marca mais premiada da britânica Brazilian Special Coffees Association (BSCA), que emite certificados de qualidade para os cafés de exportação. Cerveja Baden Baden: pilsen (R$ 11), golden red e ale (R$ 12), weiss (R$ 20); uísque Red Label (R$ 9,90), Black (R$ 15,90). Tecle! 

Vanilla Café
Alameda Lorena 1835 Jardins
Tel: (11) 3081-4031


Suplicy
Alameda Lorena 1430 Jardins
Tel: (11) 3061-0195 

Millor
Rua Jericó 89 Vila Madalena (em frente ao Fórum de Pinheiros)
Tel: (11) 3813-0224 (encerrou as atividades) 

Armando Serra Negra






Rôti / Di Bistrô / Atelier Cit



Arte, talento e sensualidade se encontram na happy hour do restaurante Rôti. Quadros eróticos de Verena Matzen, em exposição, acentuam a alta culinária criativa – receitas afrodisíacas, coquetéis e entradas – do jovem chef João Leme.

         Formada em Belas Artes, Verena estudou mais dois anos em Paris. Participou da mostra no Musée del’Homme, em 1998, transferida para a Expo-Artuélle, no Líbano. Em 2000, foi a vez da Exposição Universal de Hannover, na Alemanha. Paris; ah! Paris.. também inspira os pratos de Leme, formado Cordon Bleue, em 1992. “A culinária está ligada à sedução; num jantar á luz de velas que o encontro há de brotar”, filosofa o cozinheiro. Principalmente, se a sugestão de entrada for ostra com tartar de manga e caviar (R$ 19), acompanhada com Chandon gelado (taça, R$ 13; garrafa R$ 52). “Não deixa de ser uma indireta para a garota, pois a ostra é tida como um viagra natural”. “Gosto do erotismo que permeia as pessoas por inteiro; o mundo é erótico, a vida é erótica”, dispara a artista, pinturas correndo paralelas à exposição Erótica, no Centro Cultural do Banco do Brasil.

Dividindo o atelier Cit, com a amiga ceramista Isabelle Tuchband, as moças fazem sucesso com obras e intervenções culturais na cidade: grande painel de azulejo na estação Santa Cruz do metrô. “Gosto de bebidas que levam gengibre”, revela a bela artista. Para satisfazer um paladar afiado, o simpático barman Anderson Blanco dá a dica, preparando um Amber : “60 ml de vodka Absolut Citron, 60 ml de suco de maçã, 5 ml de xarope de maçã verde, e uma bailarina (colher de cabo comprido para o preparo de coquetéis) de purê de gengibre; não há garota que resista” As receitas afrodisíacas começam aí: que tal um Bourbon Limonade – 50 ml de Wild Turkey, 30 ml de Cointreau, 80 ml de suco de frutas variadas, clube soda – ou um Rôti Spicy – 50 ml de Absolut Peppar, 4 morangos frescos e 1 cubo de melancia macerados, clube soda para quebrar a pimenta (todos em copo alto, muito gelo, R$ 14)? Experimente para ver no que dá. Você vai se sair bem!

         No ano passado foi Isabelle; nesse, foi Verena a escolhida para desenhar o rótulo do exclusivo vinho Di Reserva, feito especialmente para o restaurante Di Bistrô (chardonnay R$ 40, cabernet sauvignon R$ 55). Só pelo rótulo – inspiração Lautrec – já vale levar para casa. “O Cássio Machado deu o nome de Di ao bistrô, em homenagem a Di Cavalcanti; ele adora arte!”, comemora a gata. E como o vinho reúne, a principio, os quatro sentidos – a cor para a visão, o buquê para o olfato, a taça para o tato e o líquido para o paladar – criou-se o brinde, para alegrar a audição: tim-tim!

 

Rôti

Rua Lisboa 191 Pinheiros

Tel; (11) 3082-7904

 

Di Bistrô

Rua Jacurici 27 Vila Olímpia

Tel: (11) 3079-9098

 

Ateliê Cit

Rua Concelheiro Torres Homem 378 Jardins

Tel: (11) 3887-2720

 

Armando C. Serra Negra

 

 

Vianna Bar







         Primeiro era o Flores. Depois, em 2002, já sob a direção do Edson, em 2004 veio o bistrô Vianna: “O nome Flores estava micado!!!”. Desde então, elevou sua clientela em 120% (às terças-feiras a paquera ferve!). Numerologia? Talvez não... O novo homenageia a rua em que se localiza, quase esquina de dois importantes corredores viários – Jardins e Perdizes, Centro e Pinheiros. Outro poderoso dado para a formidável ascensão: “Nasci atrás do balcão do meu pai, dono de boteco de esquina; sempre trabalhei com alimentação!”. 


         MPB, Salsa, Merengue, embalam o chope Brahma diferenciado, gelado à base de nitrogênio, oferecendo uma textura mais cremosa. Esperto, pela confusão que sempre rola nos bares quanto ao tamanho do colarinho, resolveu o problema estabelecendo dois tipos: com (R$ 3,30) e sem (R$ 3,50), claro ou escuro. “Espuma de três dedos (padrão da Ambev) deixa o chope mais saboroso, faz bigode, o barril rende até 25% a mais de bebida”, contabiliza e justifica. Caipiroska (R$ 8,50) e meia de seda (gin, creme de cacau e creme de leite – R$ 10,50) são os aperitivos mais concorridos entre as damas.


         Decoração charmosa, clima descontraído, ambiente quase caseiro – o Edson sempre está lá – espelhos espalhados, balcão de mármore no canto, o velho truque das lousas indicando sugestões do cardápio (uma invenção do Ritz nos anos 80) fisgam o apetite pela curiosidade: spinakopitas (pão sírio, folhas de espinafre, parmesão ao forno R$ 13,90), wonton de frango (trouxinhas de massa de pastel recheadas c/ alho-poró, geléia de gengibre, lascas de pimenta dedo de moça R$ 14,50). Namoricos depois do cinema, troca de idéias, bate papo entre amigos... É lá!


Vianna
Rua Cristiano Viana 315 Jardins
Tel: (11) 3082-8228


Armando C. Serra Negra

 

Zepellin Bar






Tarefa impossível é voar no dirigível Ventura, da Goodyear, que passeia nos céus de São Paulo. Os voluntários seriam tantos que a empresa não daria conta. Foi pensando nisso que os empresários, boêmios de carteirinha, Edgar e Pena, criaram o Zeppelin Madalena. Um bar que se não voa, faz a imaginação voar. São tantos seus atrativos – um casarão de 1907, onde funcionou o Bar Bartolo durante anos – que fica difícil escolher o melhor. 

As luminárias – feitas sob encomenda e em forma de dirigível – iluminam suavemente uma coleção de fotos na parede, a maioria amealhada na internet. Sob os olhos do conde Ferdinand von Zeppelin – quepe de comandante, barba branca e sisuda, construtor da primeira aeronave de passageiros (ia de Frankfurt ao Brasil em três dias) – os românticos zepelins sobrevoam as principais capitais do mundo. Enquanto um passa sobre a Avenida São João do início do século, outro, pilotado por Santos de Dumont, em 1901, faz o vôo pioneiro ao redor da Torre Eiffel, ganhando o prêmio milionário. Pouco antes, seu colega voador Augusto Severo explodia com o PAX sobre Paris, virando nome de rua em Pigalle e selo postal no Brasil dos anos 70. Hindemburg pega fogo ao chegar em Nova York em 1937. “Os americanos tinham a fórmula do hélio (gás não inflamável), mas por estratégia de guerra – que se aproximava rapidamente – não a forneceram aos alemães, que usavam o perigoso hidrogênio, responsável pela tragédia”, informa Pena.

Com lugar para 160 pessoas, mesas e cadeiras de madeira, o belíssimo bar é iluminado com luz dicróica dirigida. O efeito é o contraste com a meia luz ambiente, ressaltando o brilho da boa quantidade de garrafas. Embora todos sejam atenciosos e simpáticos, alguns garçons são figurinhas carimbadas da noite paulistana. “Muitos clientes vêm aqui para reencontrá-los”, diz Edgar. Cidão começou no antigo Ópera Cabaré, no Bexiga: “era um restaurante com shows ao vivo, de Angela Maria, Edu da Gaita, Elza e Claudete Soares”, lembra. De lá, foi para o Palace, Rádio Clube e Bar Avenida. Quinho trabalhou no Riviera, reduto intelectual, fazendo amizade com vários cartunistas: Chico Caruso fez sua caricatura e Angeli inspirou-se nele para criar o barman Juvenal, confidente da (infelizmente “falecida”) Re Bordosa. Glauco foi outro. Nascimento e Silva 107, que se considera “mais rodado que mulher do Kilt”, passou pelo La Boheme, Baiúca, Supremo e Royal. O gerente Rai, com uma coleção de mais de 2500 pins alfinetados em seus quatro coletes, confessa: “demoro três horas e meia para fixá-los e sei quem meu cada um deles”. Conhecê-los, portanto, é outro atrativo. Mas não o último. Comes: Luís Inácio, anéis de lula doré (R$ 24); Virgulino, abóbora recheada com carne seca (R$ 15); Mocotó do Rai, caldinho revigorante (R$ 4,90). Bebes: chopp (R$ 3,30 e R$ 2,60); cachaças – mais de 50 tipos – Germana (R$ 5,50); Salina e Claudionor (R$ 4,10); capirinha (R$ 9,50); caipiroska (R$ 10,50); mojito (R$ 10,50). Solte as amarras do balão e aterrisse. 

 

Zeppelin Rua Aspicuelta 524 Tel: (011) 3814-8763  (atividades encerradas)
                                                      
                                                                                                     Armando C. Serra Negra




segunda-feira, 13 de junho de 2016

Villagio Café







         De fora, parece a fachada de uma oficina, porta de correr e tudo; um pequeno portão ao lado, alguns degraus apontam um comprido e estreito corredor. À direita, mesinhas sob as janelas, que garantem a ventilação do salão – e espiadinhas furtivas para ver se vale a pena entrar ou não. Se estiver à procura de um lugar sofisticado, pela própria descrição nem às janelas vai chegar; mas se for som ao vivo de primeira, gente simples e descontraída, papo-cabeça, balada e paquera, acertou na opção...


         Point meio underground, no fim da galeria de acesso, em vez de dar com o balcão do bar, recepcionista à porta para indicar uma das inúmeras mesinhas (100 pessoas sentadas), o que se dá é de cara com as toscas portas do banheiro, pia externa, toalha de enxugar as mãos de papel barato: “Ué, cadê a entrada?”. Vire-se! Einstein, Lennon, Gandhi, Raul Seixas e Groucho Marx – numa autêntica, rara e divertida caricatura de Spacca – estarão lhe dando as boas vindas!


         “Nossa proposta é exatamente essa, uma casa descontraída, sem frescura, charmosa e aconchegante, música de qualidade, temperada pela mais saborosa culinária de botequim”, aposta em suas receitas o proprietário do Villaggio Café. José Luiz Soares sugere: porções de bolinho de abóbora com carne seca (R$ 16,00), de pernil (R$ 18,00), caldo de mocotó para duas pessoas (R$ 7,00).


         Com o portão aberto há menos de um mês, o galpão está bombando: “Temos três mil clientes fiéis cadastrados no site, nossa inauguração, com show do Tavito, foi um arraso!”, comemora. E não é mágica que uma clientela tão graúda participe da mala direta de um bar que acaba de abrir, pois, na verdade ele apenas mudou de endereço... São 16 anos que o tradicional Villaggio Café vem animando a noite paulistana – morava no Bixiga – tornando-se referência musical no meio artístico, uma oportunidade (das segundas às quintas-feiras) para novos talentos: “O Sonneka, que acaba de emplacar uma música na novela da Record, começou aqui”, estala os dedos. Nesses dias, o espaço abriga os compositores “sem-mídia”, que propõe uma oxigenação do repertório nacional. Clima, então, mais intimista, não raro de apresentações solo. A quantidade de mesinhas, no único salão, dá, à primeira vista, uma sensação se superlotação, de um erro estratégico de acomodação da clientela. Ledo engano: “É justamente essa proximidade entre as mesas e cadeiras que incentiva a interação entre as pessoas, deixar a timidez de lado, fazer novos amigos, arranjar paquera”, garante Soares. 


         Por isso, se estiver sozinho, triste, cabisbaixo, brigou com a namorada, levante da poltrona, desligue a televisão e aventure-se! Na sexta-feira e no sábado é que bomba, no domingo a casa fecha. Bebidas: chope Brahma (R$ 3,70), uísque Old Eight (R$ 7,00), Bell’s (R$ 8,00), Red Label (R$ 12,00), caipiroska da casa (maracujá, morando e limão, R$ 10,00). Consumação artística: de R$ 5,00 a R$ 20,00.


Entre as inúmeras fotos que forram a parede de tijolinho à vista, Zé Rodrix dá adeus ao antigo e longevo logradouro. Bem vindo ao novo lar, Villaggio Café!


 


Villaggio Café Rua Teodoro Sampaio 1229 – Pinheiros


Tel: (11) 3571-3730                www.villaggio.com.br


 


Armando Serra Negra