quinta-feira, 7 de julho de 2016

Posto 6


Posto 6. A homenagem ao antigo ponto de encontro de artistas e intelectuais dos anos 60 e 70 – Vinicius de Moraes, Chico Buarque, Nelson Mota, Paulo Francis, etc – no Rio de Janeiro, citado por Danuza Leão em sua excelente auto-biografia Quase Tudo, é um bar charmoso, um quê de armazém antigo, além de um número sugestivo para happy hours. “A idéia é a de que quem entrar aqui, tenha a sensação de estar num bar antigo”, sugere o proprietário e jornalista Fernando Costa Netto.


         Inaugurado em 2002, na mesma esquina onde funcionou o Olívia (um dos primeiros a agitar a Vila Madalena), é um lugar “que já nasceu tradicional”, amplo com decoração lúdica e eclética: barômetros, rádios, relógios antigos, balança Filizola, máquina de escrever do tempo dos afonsinhos, balcão com garrafas, salames e provolones pendurados, verdadeiro bri-à-brac. Pode-se ficar horas percorrendo o ambiente com o olhar, saboreando um chope geladinho (R$ 3,80) que sempre algo novo – ou velho – vai perceber. Na parede, fotos memoráveis publicadas no Jornal do Brasil em seus tempos áureos. Abre de segunda a segunda, destaque culinário para as chapas (R$ 42,80 p/ três pessoas) e chapinhas (R$ 33 p/ três pessoas) de picanha, fumegantes, deliciosas, exalando aquele cheirinho irresistível. Também de frutos do mar e shimeji (R$ 55,80 e R$ 45,80).



Desde o começo, o Posto 6 chamou a atenção pela novidade de projetar slides na parede da livraria do outro lado da rua. Visão empresarial, essa criatividade acabou gerando o Cine Boteco, em parceria com o portal Terra: “É um projeto pioneiro no Brasil, um canal de TV via Internet, com conteúdo adaptado para bares e restaurantes”, explica. Desfiles de moda, momentos esportivos e charges, intercalam com notícia minuto a minuto, divulgação Red Bull, Universal Pictures, Pepsi, e outros ptrocinadores. O sistema já consta do cardápio do Zé Menino, Salve Jorge, Jacaré, “e mais 70 estabelecimentos até a copa do mundo”, promete. A tecnologia foi desenvolvida por um profissional brasileiro – prefere não ter o nome revelado – que trabalhou na montagem do site da British Broadcasting Company (BBC), de Londres. Veia de repórter – foi editor-chefe do Notícias Populares e cobriu as guerras de El Salvador (1990), Sarajevo (1993) e Intifada (2001) como freelancer – criou a revista semestral 2005, com reportagens fotográficas de tirar o chapéu. Caldinho de feijão cortesia, forra o estômago para a caipirinha (R$ R$ 10,80), caipiroska (R$ 12,00). Para abstêmios, dez tipos de sucos naturais (R$ 4,60). Bi-campeão de melhor happy hour pela revista Veja São Paulo: Vá!             

         

Armando C. Serra Negra

Dia de Reis Rei das Batidas





Hoje é dia de Reis, de desmontar a árvore de natal, guardar o presépio e tirar a guirlanda da porta de casa. Fim da folia iniciada no 24 de dezembro, celebração da visita de Belchior, Baltazar e Gaspar, os três reis magos vindos do Oriente atrás de uma estrela misteriosa. Louvaram com ouro, incenso e mirra o deus-menino, nascido numa manjedoura de Belém. Porque, então, não brindar o primeiro fim de semana de 2006 com um caprichado coquetel de cachaça (R$ 4,00) ou vodka (R$ 4,50) no tradicional boteco de um outro rei?


         Fundado no aniversário de São Paulo, em 25 de janeiro de 1970, o Rei das Batidas continua empunhando o cetro na mesma esquina 36 anos depois, passando incólume às reformas viárias da região que poderiam ter afastado boa parte de sua clientela. “Quando abrimos as portas, a frondosa paineira ainda estava ali, protegendo os passantes do sol e do calor, com sua sombra refrescante”, lembra o garçom Osmar Afrísio dos Santos, apontando para a confluência das avenidas Francisco Morato, Vital Brasil, Lineu de Paula Machado e Valdemar Ferreira, que dá acesso à Universidade de São Paulo. Outros tempos, a majestosa paineira foi podada, houve quem chorasse de tristeza. Mas no Rei das Batidas outro chorinho, despejado alegremente nos copos, continua jorrando.


Afrísio é um garçom atípico. Formado em pedagogia, é escritor, poeta, autor de dois livros. Corre com sua bandeja pelo salão e terraço, orgulhando-se de já ter aberto 1.4 milhões de garrafas de cerveja: “Foi o pessoal da Poli que calculou, numa média de 125 por dia”, sorri. Biblioteca com 1500 livros, de causar inveja a qualquer intelectual, ele tem muitas histórias para contar. “O recorde de consumo é da turma da FEA-USP (Faculdade de Economia e Administração) que numa tarde de confraternização, em 2004, bebeu 90 caixas de cerveja”. Outra: “Uma gata chegou aqui, tomou oito batidas em uma hora, e ainda saiu sóbria!”. São 15 marcas de cachaça, 16 de cerveja, uísques, porções, lanches. Tipos de batida? Desnecessário contar, num lugar que é rei. Mas há algumas curiosas: leite de tartaruga, pé na cova, volta ao mundo, banho de lua etc. As receitas? Vá até lá e confira!


 


Rei das Batidas
Avenida Valdemar Ferreira 231 Butantã
Tel: (11) 3031-5795


Armando C. Serra Negra


 

Rock'n Roll bombava com Ju Côrte Real...








Ju Côrte Real
“Oi Lelé! Oi da Cuca!” – avistavam-se Jô Soares e Renato Côrte Real, na abertura do programa Faça Humor Não Faça a Guerra, da Rede Globo, logo após a novela das oito. Idos de 1970! “Meu pai era um ‘cara de pau’ maravilhoso, um sem vergonha; quanta falta nos faz seu humor, dentro e fora do palco”, recorda o saudoso Ju Côrte Real (1949-2012), afinando as cordas da guitarra. Ao lado do irmão Ricardo (o Sócrates da Família Trapo, quem não lembra?), preparam-se para bombar um rock’n roll da pesada, comemorando o aniversário do ator. Show! Hipermídia é pouco para se referir ao leque artístico dos irmãos, nascidos sob os primeiros holofotes da TV brasileira. O sangue Real borbulha nas veias... “Humorista é quem escreve os próprios textos; um comediante, como o Golias, os interpreta”, esclarece o anfitrião. Renato Côrte Real cumpria ambos os papéis com maestria: o quadro “Epitáfio e Santinha” (1961) continua a provocar gargalhadas todos os sábados no Zorra Total: Nair Bello invicta no papel (ao lado de Elias Gleiser), mesmo 45 anos depois. Inspirado no sucesso do Papai Sabe Tudo norte-americano (1954), Renato criou o Papai Sabe Nada (1962-1966) contracenando com a própria família: Ricardo, Ju, e a esposa Bizu.
Era de ouro da televisão, é o que se pode experimentar às quartas-feiras, quando Ju abre as portas de seu atelier (além de músico também é artista plástico, antiquário e marchand) para saraus after-hours varando a madrugada. “Os encontros são espontâneos; nunca se sabe quem vai aparecer para tocar”, E se não aparecer ninguém – hipótese descartável – ele mesmo dá conta do recado: the show must go on. Para curtir a noitada é imprescindível reservar lugar com antecedência: (11) 5523-1578. “O espaço não é muito grande, mais de 50 pessoas lota”, lamenta. A simpática família ultrapassa o núcleo central: “Meu tio Roberto, jornalista da TV Paulista (antecessora da Globo nos anos 60), aproveitou seus contatos para lançar Roberto Carlos, Cauby Peixoto, Maysa, na indústria fonográfica (Femata, Colúmbia)”  Por outro lado o pai, Renato, versado em inglês, francês, italiano e espanhol, foi mestre de cerimônia  de grandes nomes do showbizz internacional quando estiveram no Brasil, como Marlene Dietrich e seu pianista Burt Bacharach, Sammy Davis Jr, Nat King Cole, Woody Allen...
Renato Côrte Real e Jô Soares
“Época de efervescência cultural, a TV Record foi uma emissora espetacular, orquestra, corpo de baile, cantores, humoristas, festivais, tudo levado ao ar ao vivo!”. Sarau informal, comidinhas e bebidinhas simples: pipoca e amendoim (grátis), Itaipava (R$ 3), Bohemia e Xingu (R$ 3,50), caipirinha (R$ 6,50), caipiroska e gin tônica (R$ 7,50), Dry Martini (R$ 9), Red Label (R$ 12,50). Renato Gomide Côrte Real nasceu em Campinas, casou-se com Bizú aos 21 anos, viveu os últimos dias – morreu jovem, aos 57 – em sua bela chácara em Ibiuna. Por isso, quando for curtir o super-agito, não deixe de autografar o livro de visitas, uma significativa homenagem ao saudoso Papai Sabe Nada... Feliz Dia dos Pais!


 


Atelier Ju Côrte Real  (atividades encerradas)              
Rua Adolfo Pinheiro 2420 Santo Amaro
Tel: (11) 5523-1578


Armando C. Serra Negra


 

Bar Riviera (1949-2006) Texto de Valdir Sanches para O Estado de S. Paulo





A casa na Rua da Consolação onde estudantes e artistas falavam mal da ditadura fechou depois de 57 anos - texto originalmente publicado no Estado de São Paulo, sábado, 26 de abril de 2006.


Por Valdir Sanches

Chico Buarque de Hollanda desceu de um táxi, com uns amigos, na Rua da Consolação, esquina com Paulista. O que ia fazer num lugar desses, em plena madrugada? Ora, estava chegando ao mais famoso reduto da esquerda festiva da cidade nos anos da ditadura.

Um bar, claro. Naqueles anos, fins dos 1960 e década de 1970, o Riviera viveu seu período de grande efervescência revolucionária, festiva e etílica. A abertura política do País, a partir de 1985, fez-lhe mal. Aos poucos, a clientela se foi. Em fevereiro, fechou as portas, depois de 57 anos de história na noite paulistana.

Quem viu Chico Buarque descer do táxi foi o hoje cineasta e escritor Jorge Bouquet. “Eles vinham de uma serenata que tinham feito para uma garota. O Chico ia apresentando o motorista de táxi para as pessoas: ‘Este é fulano, meu motorista particular’.”

 A noite era uma criança, como se dizia na época. O bar ficava aberto até o último freguês – e ele raramente saía antes do amanhecer. Grande parte da clientela batia ponto toda noite. “Se você quisesse me achar, era lá”, diz a jornalista Dina Amendola. Outros, eram assíduos, mas não tanto. José Dirceu, então líder estudantil, Fernando Henrique Cardoso, Vinicius de Moraes, Toquinho, Chico.

 Dina não militou contra o regime, mas esteve na torcida (chegou a ser presa, por causa de um bilhete). “Quando algum de nós sumia, falávamos: ‘Fulano sumiu do mapa’. E o mapa era o Riviera.” No bar, diz, chegava a notícia do sumiço – indício certo de prisão.

Mas a freguesia não vivia só de resistência. “Nós, garotas, queríamos conhecer e namorar um moço bem legal, de preferência do movimento revolucionário. Se fosse um líder estudantil, que pertencesse à diretoria da UNE, aí era o máximo.”

O máximo, também, era o que acontecia entre as paredes do bar (uma delas curva, com tijolos de vidro – a marca do lugar). Certa noite, o Pernambuco, esse era o apelido, entrou no Riviera e disse que ia fazer strike. Novidade nos Estados Unidos: grupos de pessoas saíam correndo nuas pelas ruas.



Os amigos achavam que ia pegar mal, mas Pernambuco insistia. Até que em certa hora encostou na coluna do bar, segundo alguns. Ou ficou atrás da última mesa dos fundos, segundo outros. O fato é que tirou a roupa. Nu, abriu caminho entre as mesas, saiu para a rua e… entrou em um carro (um Fusca), que o esperava.O publicitário Albertinho Lira, um dos que contam o episódio, diz que a atitude foi conseqüência “da revolução sexual da época”. Sim, eram tempos de liberação sexual (e não havia aids).

 Albertinho (que certa noite subiu numa mesa para discursar) fala do mezanino do bar, lugar menos agitado. “A gente ia lá com uma garota, para uma beijoquinha, uma aproximação corporal.” Mas nada parecido com “o que essa molecada faz hoje, de ficar se beijando na rua”. Todos os amigos de bar tinham “a mesma ideologia”. Consistia em “combater a ditadura e ter acesso a festas”. Albertinho militou numa organização clandestina, a Polop, mas desistiu. “Por um motivo: eu tinha medo.”

 Quanto a festas, não faltavam. “Aquela era a década das festas, todo mundo fazia festas e todos procuravam por uma”, diz a jornalista Dina. A notícia corria pelas mesas do bar: festa na casa de fulano. Ou alguém era convidado para uma festa e chegava com a turma do Riviera. “Fui numa festa na Vila Madalena e a Elis Regina estava lá”, diz Albertinho Lira.

Para encontrar Toquinho não era preciso sair do bar. “O Riviera era um pouco a casa descontraída de estudantes, intelectuais e artistas”, diz o cantor e compositor. Na época, estudava Contabilidade no Mackenzie. Ia sempre ao bar com um colega, estudante de Arquitetura na USP, apelidado de Chico.

Davam uma canja para o pessoal? “Eu e o Chico estávamos sempre com o violão debaixo do braço, às vezes tocávamos.” Toquinho também freqüentava o mezanino. “Pagava uma pizza para a namorada e dava uns beijinhos.”

O prato mais requisitado do bar era, na verdade, um sanduíche. O Royal, algo como um bauru em pão de forma, envolvido por uma omelete. Um dos que não falhavam nas noites do bar, o jornalista Chico Lins, acha que as peculiaridades da culinária eram uma das atrações do lugar. “Todo mundo era durango e podia ficar no lanche, que era mais barato.”

Mas também: “Eu ia lá porque encontrava meus amigos. Vivíamos num clima sufocante, e a prudência indicava que se procurassem os seus.” O que não garantia muito. Porque esta ou aquela pessoa, tão bem instalada em uma mesa, podia ser um policial infiltrado. Jorge Bouquet, o cineasta, certa noite desconfiou de um cidadão “que chegou e entrou na conversa”.

 ”Disse que trabalhava na Gazeta Mercantil, mas achei que era um tira infiltrado.” No dia seguinte, Jorge ligou para um amigo do jornal. O suspeito realmente trabalhava lá. “Depois, acabou ficando meu amigo”, diz Jorge.

Ao lado do Riviera havia outro bar agitado, o Ponto 4. A clientela ia e vinha de um para outro. Às vezes a polícia baixava e pegava o pessoal em trânsito. O próprio delegado Sérgio Paranhos Fleury, uma espécie de mastodonte da polícia política, o Dops, é citado como tendo, algumas vezes, comandado pessoalmente a ação. “Eles levavam todo mundo, para ver se pegavam alguém da luta armada”, diz um dos que falam em Fleury, a jornalista Dina.

O cartunista Chico Caruso retratou a situação em um desenho. Mostra os camburões cheios e o dono do bar se lamentando: “Lá se vai minha freguesia.” Os irmãos Chico e Paulo, gêmeos, nasceram no mesmo ano que o Riviera, 1949. Estudavam na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP. “O bar era a extensão da faculdade”, diz Paulo. “O Chico tinha uma postura política mais consistente, mas eu era mais da turma do desbunde.”

O Riviera era destino natural do pessoal que saía do Cine Belas Artes, do outro lado da Rua da Consolação. “A gente saía do cinema e ia direto para o Riviera, para ficar comentando o filme”, diz Dina, a jornalista. Albertinho Lira lembra-se de que pulavam uma divisória do canteiro central da Consolação, para chegar mais depressa ao bar. O cinema, que também enfrentou a decadência, mas teve melhor sorte – restaurado, está em pleno funcionamento – foi fundado em 1952, três anos depois do Riviera.

Nos bons tempos, os fregueses mais próximos penduravam a conta. “Se atrasava, a mãe do Renato (o dono) ligava para a pessoa”, diz Carlos Salum, redator de uma agência de Marketing. “Ela dizia: ‘Faz tempo que você não aparece por aqui…’ Era tão atenciosa, que o pessoal ia lá e pagava.” O bar aberto pelo comerciante Renato Maniscalco teve uma clientela fina até 1964. Com os militares no poder, o público foi mudando, vieram os estudantes, artistas. Em 1999, decadente, fechou. Mas logo reabriu. Desta vez, foi despejado e não houve jeito. O único que restou foi o ponto de táxi Riviera, ao lado.












Esquenta Carnaval Rosas de Ouro






Helen Roche
Em nenhum lugar do mundo há tamanha concentração de mulheres bonitas e descontraídas como num ensaio de Escola de Samba: mini-saias proliferam! Às vésperas do carnaval é pura folia. Principalmente se for na paulistana Rosas de Ouro, que entra este ano  com o enredo “Diáspora Africana – Um Crime Contra a Raça Humana”. Nada mais oportuno, numa época em que o preconceito e a xenofobia sangram na Europa, invadem os campos de futebol, explode entre fanáticos. A origem do carnaval é a alegria, embora o rufar dos tambores, o bumbo dos atabaques, o zunir dos chocalhos, lembrem, sutilmente, uma marcha militar africana pronta para a luta.  Contra a desigualdade. Na passarela todos são iguais, irmanados pelo único ideal de levantar o troféu na quarta-feira de cinzas.


         Os gregos já festejavam com grandiosidade a mais popular das festas, celebrando a volta da primavera, o Renascer da Natureza. No Brasil, foi chamado de Entrudo, influência dos portugueses da Ilha da Madeira, Açores e Cabo Verde. Trouxeram para cá, em 1723, a brincadeira das loucas correrias, mela-mela de farinha, batalhas de confete, serpentina e bolotas de cera recheadas de perfume – a bisavó da lança-perfume.


         Samba no pé, a bela Luana – professora de artesanato – foi escolhida a Madrinha da Bateria: “É muita responsabilidade; mas uma alegria contagiante representar a escola do meu coração”, exulta o sorriso radiante. Simbolizando a mestiçagem tão brasileira, a morena posa de passista da Ala do Samba (fantasia, R$ 330), ao lado da administradora de empresas loira, Thayane, Guerreira do rei Sado (fantasia, R$ 280). Nobre combatente do tráfico negreiro. A lojista Magaly Fernandes, carnavalesca de olhos azuis, confere: “Já saí na Mangueira cinco vezes, e agora estréio em Sampa; dizem que nosso desfile está batendo o Rio!”. Vai de Guerreira de Benin (R$ 250).


         Fundada em 1971, seis vezes campeã, a Rosas de Ouro não conquista o título desde 1994. “Estamos aí, sempre brilhando, o que vale é competir e espalhar alegria; quem sabe este ano...”, torce Angelina Basílio, presidente da escola, que entra com 22 alas. O drinque tradicional é o Chiclete com Banana (groselha e vodka, R$ 3), cerveja Viva! (R$ 5), garrafa de vinho (R$ 6), uísque Drury’s c/ energético (R$ 15), sanduíche de calabreza (R$ 4). Ensaios às quartas-feiras, sextas e domingos, a partir das 20h00 (ingresso, R$ 20). “Dá a maior vontade comprar uma fantasia!”, grita ao ouvido uma foliã bombando na quadra, coração acelerado pelo bate-cum-bum, inundada de suor. Ela canta com a multidão o refrão: “Que esse canto não seja em vão!”.


Sociedade Rosas de Ouro
Rua Cel. Euclides Machado 1066 Freguesia do Ó
Tel: (11) 3831-4555


Armando C. Serra Negra      


 

Rudy's Bar Guarujá





         Há tempos no Guarujá um point só para marmanjos, embora hoje não seja tão assim... Quando o Rudy’s Bar abriu a porta nos idos de 1984, era apenas uma gota na Rua Rio de Janeiro, em Pitangueiras, para finalmente saciar a sede da turma que Elis Regina cantava sua desconfiança: com mais de 30. Outros botecos abriram em torno, a rua bloqueada ao trânsito de veículos, nasceu um pequeno bulevar, com decks padronizados, exclusivo da paquera e do happy hour. A moçada mais nova chegou no pedaço, concentrando-se no Avelino’s – música ao vivo, samba, pagode e axé. O Barril também foi criado por Rudy e o compadre Ricardo, em 1994. “Foi uma auto- concorrência, para ser um grill e agitar mais o pedaço”. Vendido três anos depois, o lugar ainda conta com o pique da moçada, bombando entre os suspeitos...


Em frente, ótimos sushis e sashimis – regados a saquê gelado – no Mai Ban; shots de tequila, tacos e tortillas no Key West; recompor as forças, um stop estratégico na Vila do Açaí. Galera reunida, o Rudy’s aumentou de tamanho, preservou a simpatia dos proprietários, o bom atendimento e o balcão original, leve toque nórdico. “Nossos clientes são ciclicamente fiéis; os que moram no Guarujá vêm todos os dias; há os de fim de semana, os mensais e os anuais”, sorriem. Com seu jeitão de viking Ricardo é anfitrião, enquanto Rudy – outro viking – cuida da infra-estrutura e culinária, passando por lá apenas para conferir a qualidade de seus acepipes: generosa porção de bolinho de carne (R$ 18 c/ 12 unids.); canapé de rosbife (R$ 24); aperitivo de kassler (R$ 24).  Com o bar, mantêm a tradição da família – o pai foi fundador do tradicional Winduck, em Moema. Colocou o pé na areia montando o Peter’s, onde a novidade da temporada: Guaruçá, na ponta da praia do Tombo. Os preços etílicos dos bares giram em torno do mesmo frescor: chope (R$ 3,50), garotinho (R$ 2,50), caipirinha (R$ 7,00), caipiroska (R$ 9,00). Ótima dica para quem não quer gastar em estadia é a Pousada Albamar, entre as praias de Pernambuco e Perequê: simples, limpinha, bom atendimento e café da manhã generoso (R$ 80,00 o casal). Lembrando que às 11h45 de ontem (19/01) fez 24 anos que Elis partiu, o meu peito percebeu...


 


Rudy’s Bar
Rua Rio de Janeiro 274 Guarujá
Tel: (13) 3386-1697


Pousada Albamar
Estrada Guarujá-Bertioga 5976 Km 06
Reservas: (13) 3353-1310
www.hotelalbamar.com.br


 
Armando C. Serra Negra 

San Vito no Frei Caneca





Desencanou de viajar no carnaval? Muito trânsito... Há quem prefira ficar por aqui, cidade calma, sem estresse, um cineminha. Opte por um filme que esteja passando no Shopping Frei Caneca, e tenha uma surpresa...


No terceiro andar há um corner com restaurante, lanchonete e bar dignos de terceiro mundo. No North Grill, por exemplo, uma rosa os ventos na entrada é bom augúrio aos navegantes churrasqueiros – carta de vinhos com 127 rótulos (entre R$ 25 e R$ 300). Ao lado está o New York City. A ponte do Brooklyn estilizada abre o cardápio para massas e hambúrgueres de primeira, carne Wessel, 200g (R$ 8,90), cheesesalada  (R$ 10,90), servidos com porção de fritas. Milkshakes (R$ 8). É happy hour! Moderno, elegante, ambiente predominante em cores preta e vermelha, pequenos lounges entre mesinhas, grande balcão reluzente, um espaço que pode ser reservado para eventos. Máquinas de fliperama, plotagens da Big Apple, é quando os dj’s são chamados a pilotar uma mesa de som high teh, para festas de no mínimo 60 comensais (openbar, preços entre R$ 30 e R$ 40 p/ pessoa).



São Vito


Quem gosta de bebericar, petiscar, papear, paquerar, há o San Vito, casa inspirada nas tradicionais boulangeries (padarias) parisienses: toldinho verde, nome escrito em dourado, lampiões típicos, madeira pintada no tom, grandes posters de antigos forneiros no ofício de assar pão. Uma mesa grande de madeira é recheada por tentadora variedade de antepastos: presunto cru, salame, peito de peru, gorgonzola, parmesão, azeitonas, pasteizinhos, risólis... (R$ 3,90 p/ 100g).    


A administração das casas – projeto do arquiteto Washington Fiúza – está a cargo de um dos sócios, o experiente Antônio Mendez. Quinze anos ao lado de Belarmino Iglesias (anfitrião perfeito e proprietário dos Rubayat e Figueira), Mendez foi escalado para uma temporada de cinco anos em Buenos Aires. Trabalhar na renomada churrascaria Cabaña Las Lilas (cabana dos lilases), sociedade de Iglesias com o fazendeiro argentino Octávio Caraballo. Ambos têm algo em comum: eles mesmo criam o gado de corte de seus restaurantes; Caraballo, Aberdeen, Angus e Hereford (que tornam a carne portenha mais saborosa), e Iglesias, Brangus (mistura de Angus e Nelore). Dá para imaginar como se come bem no North Grill?! San Vito, chope (R$ 3,40) e clube do uísque com virtuoso (está no nome do santo) custo / benefício: Balla’s R$ 74 (supermercado, R$ 65), Jameson R$ 87,90 (R$ 75), Chivas R$ 117 (R$ 99); caipirinha (R$ 8), caipiroska (R$ 9). Música ao vivo às sextas-feiras e sábados, pop- rock, Beatles, a partir das 20h30, divide o palco com um telão bem dimensionado. “Em dias de futebol e corridas, isso aqui lota!”, diz Mendez. Assim, escolhendo um programinha mais maneiro no feriado, não deixe de curtir confetes e serpentinas, confortavelmente instalado, chope na mão, torcendo para que sua escola seja a campeã. Desfilando no Sambódromo (ingresso na geral R$ 50), é folia de carnaval!




Shopping Frei Caneca
Rua Frei Caneca – 3° piso
Tel: (11) 3472-2109


 Armando C. Serra Negra