segunda-feira, 13 de junho de 2016

Vila Seu Justino





Balada de tarde! É a nova mania da moçada confiável, até os trinta. Veio dispensar os esquentas, desbancar as altas madrugadas, arrepiar – e ameaçar a existência – das grandes, caras e – até aqui – badaladas discotecas. Quem afirma a nova tendência é o arquiteto e empresário Paulo Solal, sócio residente do animadíssimo Vila Seu Justino: ‘A frequência vespertina dos botecos transados está aumentando a cada vez mais, em detrimento das caras boîtes de altas horas”, sentencia.


A fórmula seguida pela Vila seu Justino começou há alguns anos, quando Thiago Armentano (filho do renomado arquiteto João) transferiu a balada particular que rolava para os amigos na garagem de sua casa, para um imóvel na Rua Santa Justina, na Vila Olímpia. Cada vez mais animado, o happening começou a sair caro para o anfitrião, que aproveitou a oportunidade para começar a ganhar em vez de gastar. Chamou Solal e montaram o bar,ele de sócio administrador. “A grana era curta, criamos um local bem rústico, e batizamos com um nome caipira que combinava com o da rua”. A casa faturou dois anos, cedeu espaço a uma incorporação, e agora, dois anos depois, reabre a porteira na Vila Madalena. Bombando. Para uma ideia de como o negócio de bares é bom – quando dá certo – os outros oito sócios investidores estão capitalizando 20% em média ao mês, sobre o capital investido. Palavra do Solal. “Não tem ninguém de fora no grupo, somos todos amigos de velha data”, revela, a quem interessar possa.


O novo estabelecimento é privilegiado no jardim. Ombrelones em amplo deck, fronteiriço, protegem do sol e da chuva até 17 fumantes (ou não) sentados. Fumódromo cinco estrelas. Bebericam na taça balon La Playa (mistura de frutas, néctares, vodka de manga – R$ 20) e Taj Mahal (folhas, xaropes, sakê – R$ 20); na tulipa, Brahma (R$ 5,50) e Stella (R$ 6,50). Petiscam filé aperitivo à mostarda (R$ 44), Seu Aparecido (purê de mandioquinha, carne seca puxada na manteiga de garrafa e crispis de cebola - R$ 24,90), crostata de cogumelos (R$ 20). O varandão abre para o lounge e vice versa, poltronas e sofás retrô, couro, camurça, patchwork, chão de cimento queimado, trecos pendurados na parede.  Através do balcão em ilha vislumbra-se a agitação da música ao vivo. Som de primeira a todo volume fervilha a galera, mantendo sagrada paz com a vizinhança ao prevenir o Psiu: “A partir das 20hs a balada termina e entra o DJ, com música ambiente”. O pessoal reúne-se em um grande pomar, pedriscos brancos no chão, mais ombrelones serpenteiam árvores magníficas e amorosas, plantadas a mais de cinquenta anos pelos antigos moradores. Tesouro urbano com pés de pitanga, jabuticabeira, limoeiro, mixirica, laranja, caqui, lixia e mais, o pomar em roda da imponente mangueira enche os olhos e refresca. “O pessoal se diverte tanto, que quando a banda termina fica por aqui mesmo, ou vai para casa dormir mais cedo”, resume Solal. Fim dos energéticos? Nada mais saudável...


 Vila Seu Justino Rua Harmonia 77 – Vila Madalena  Tel: (11) 2738-3800


Armando C. Serra Negra






        




Wall Street Bar









Alta cotação em hardware: arquitetura e decoração assinados por João Armentano. À entrada do Wall Street Bar, o touro dourado em posição de ataque sinaliza o mercado em alta. Símbolo de vigor e robustez econômica, a estátua verdadeira – de bronze e pesando três toneladas – desafia os investidores no coração financeiro de Nova York. A fachada do sobrado é típica dos anos 1930, à época da Grande Depressão. Pé direito alto, tijolo à vista, o nome da casa gravado em baixo relevo na clássica cornija branca. Dentro, grafites de Loro Verz aplicados e pendurados, posters da downtown tratadas com photoshop. Um toque underground. O contraponto é uma sala reservada para reuniões, de até 40 pessoas, no elegante estilo clean de Armentano. Dégradé cinzento, proteção acústica e mesa oficial de snooker. 


Aberto o pregão, rótulos e drinques em vermelho, verde e amarelo percorrem o perímetro do salão, no térreo e no andar superior, através de extensos painéis luminosos. De uma tela touch screen na mesa, os clientes escolhem e comandam os pedidos. “A navegação é simples; basta um toque na opção e passar o cartão magnético, que o pedido é debitado e transmitido, logo chegando à mesa”, orienta Alguin, desenhista do sistema. Tempo é dinheiro: não se espera o garçom anotar os pedidos e nem trazer a conta. A tabela das commodities é fixa: Chips de raízes laminadas (batata roxa) com guacamole, R$ 13,90; Vol au Vent  de Brie, R$ 24; Bruschetta Caprese (humm!), R$ 16. O valor dos etílicos é variável, aumentam e diminuem conforme a demanda. “Seguindo as cotações, pode-se optar pelos rótulos e drinques em alta (bullish) – pagando acima do preço estipulado pela casa, ou em baixa (bearish), pagando-se menos – a idéia é pedir o que está em baixa”, explica o inventor. Indicativos percentuais, positivos e negativos, acompanham as oscilações, variando a cada três minutos. Basta ficar de olho neles para economizar na conta. E saber o valor exato da economia, ou do prejuízo, que pode ultrapassar os 50%! Juke box: R$ 0,90 cada música. Liquidez (preços das ações): Mojito Kin Kan (1º prêmio no concurso Baccardi), R$ 20; Tiki (vodka, limão, suco de laranja, licor de melão e energético – 1º prêmio no concurso Midori), R$ 18. A cada ação de uma categoria (rótulos e drinques) em baixa, sempre haverá outra em alta, equilibrando a receita. A casa favorece o cliente e não tem prejuízo. Oscilação no preço da cerveja Original: 19h30, R$ 7,90 (preço padrão); 22h10, R$ 10,40; 02h00, R$ 5,80.


Os jargões financeiros bullish (bull, touro), e bearish (bear, urso) remetem à alta do mercado de ações, quando o touro chifra de baixo para cima, ou à baixa, quando o urso dá uma patada de cima para baixo. O software do Wall Street Bar é tão divertido e bem bolado, que começa a criar uma bolha nas requisições de franquia: Miami, Lisboa, Madri, Colômbia, Campinas, Ribeirão Preto, Salvador, Belo Horizonte e Porto Alegre já enviaram corretores... Boom!


 


Wall Street Bar Rua Jerônimo da Veiga 149 Itaim Bibi


Tel: (11) 3873-6922            www.wallstreetbar.com.br


 


Armando Serra Negra

Zena Café




La nave vá... Pinheirinhos esguios e retorcidos estão na moda, cerca viva, nos dois vasos grandes de ferro negro crescem fícus, nos Jardins. Na rampa do embarcadouro, com capacho verde, o nome Zena Caffé gravado discretamente ao lado. Alguns seguranças educados sob o ombrelone do valet service (R$ 18) impõe sossego. Deck amplo e agradável mantêm a toada verde, forração de madeira tosca nas paredes, duas janelas, uma aberta com vasinho de flores, a outra fechada, enganam os olhos no muro cor de ferrugem. Zum zum zum de atendentes entre as mesas, de vários tamanhos para diferentes ocasiões: carpaccio genovese (R$ 33), coelho à moda liguria (R$ 42,50). Vinhos chilenos, sulafricanos, americanos, espanhóis, argentinos, brasileiros: Merlot Miolo (R$ 62), Talento Salton (R$ 79). Rolha: R$ 50. Taças de prosecco Mioneto Brut (R$ 18).

Lançada a âncora ao por do sol – mangia e bevi entre 17h e 20h – das novas caipirinhas, uva com rúcula, kiwi com pepino, e tomate com manjericão (R$ 19), além de outros coquetéis, os petiscos derivam: bruschettas, e/ou Fantasia, um mix de focaccia de azeitonas verdes, cebola roxa e sardenaira.

Luzes tremulam no candelabro de garrafas de vinho, uma placa dourada atesta a Ospitalitá Italiana pela Camere di Commercio d’Italia, do Zena. Modo carinhoso dos nativos da Ligúria chamarem a capital da província, Genova, às margens do mar Mediterrâneo. O balneário mais famoso é Portofino, aldeia de pouco mais de 500 habitantes, vivendo do pescado e do turismo vip. Um amplo painel fotográfico ao fundo do salão mostra o trecho entrecortado da costa, casarios típicos, vermelhos, amarelos, brancos, rosa, espraiando-se entre duas pequenas baías, lanchas, barcos à vela e iates ancorados ao sol, mar calmo e azul profundo. Trompe-oeil, o painel se alonga no pincel, circulando a chaminé redonda do forno a lenha no canto. Fornaio e paninaro, Marcos Lisboa entende dos assados: panino canaglia (filé empanado, tomate, ovo e cebola fritos, pão integral com sal grosso e alecrim – R$ 28) focaccia della casa (massa folheada e recheada com queijo stracchino). O desenho encontra o restante da foto, encostando nas prateleiras vazadas do bar. Mais verde brotando por detrás. A costa tirrena salpicada em quadros e quadrinhos, escotilhas para a maré sempre cheia. Como onda de quebra-mar o balcão avança, servindo para quem espera a vez bebericando: vermouth Carpano (R$ 14), grappa Bianca (R$ 27), cervejas Cerpa, Devassa e Stella Artois (R$ 7). Marulho forte, o aroma que sai da cozinha torna o ambiente apetitoso. O mar revolto pelas mesas falando alto alia-se à privacidade das conversas, dissimuladas tranquilamente na tormenta do vozerio. O navio apita: meringata al limone (sorvete de limão, minis suspiros, marshmallow – R$ 15); café Illy (R$ 55). Vada a bordo!

 

Armando Serra Negra

 

Zena Caffé Jardins

Rua Peixoto Gomide, 1901

Tel: (11) 3081-2158

 

Zena Caffé Itaim

Rua Manuel Guedes, 243

Tel. (11) 3078-6658

Horário de Funcionamento: Dom. a Qua. - 12h à 0h. Qui. a Sáb. – 12h à 1h.

www.zenacaffe.com.br

 

Z Carniceria



A mais paulistana das ruas, a Rua Augusta, é a que mais histórias tem para contar. O Z Carniceria é personagem de um novo capítulo, intérprete da revitalização da zona chamada “baixa Augusta”. Cada vez mais botecos descolados, de todas as tribos (universitários, modelos, artistas, yuppies, emos, tatooies, gays, etc.) passam a dividir as calçadas com as butiques de trajes eróticos, cabelereiros que funcionam de madrugada, bares de esquina, inferninhos e bordéis, pano de fundo para o trotoir .

Tal cosmopolitismo, é amálgama raramente encontrado em qualquer outra parte do mundo. Assim é a Rua Augusta, espelho perfeito do paulistano, música cantada por Ronnie Cord (letra de Hervé Cordovil), na estréia da Jovem Guarda, em 1963. Com refrão que gruda na memória feito chiclé, o motorista da canção desce a rua a 120 por hora em direção ao Centro (passando bem em frente ao Z Carniceria), e não dos bairros elegantes da metrópole, que agora completa 456 anos, em rara sequencia numeral.
A metamorfose que a rua Augusta vem passando, como um polo alternativo entre a sofisticação dos bares da Vila Olímpia e a intelectualidade da Vila Madalena, não é expontânea, mas devido à visão de um outro “cacique”, José Tibiriçá. “Sempre fui apaixonado pela região, e um dia me perguntei por que não montar uma casa noturna aqui; quando tentava achar um sócio, me diziam que eu era maluco”, recorda. Mas a estrela brilhou, um amigo abraçou a idéia, e nasceu a discoteca Vegas, em 2005. Foi o inicio da virada, atraindo a moçada que inspirou outros empresários a abrirem novos bares, como o Astronot, Tapas, Pub Bar. Tibiriça entrou na dança, montando o Z Carniceria. Logo na entrada, o photoshop colocou um cigarro na boca do Roberto Carlos, em foto da capa do LP, de 1966, É Proibido Fumar.

“Desde os anos 50 aqui era um açougue; mas com a abertura do supermercado em frente, o negócio fechou”, conta. Contatando o açogueiro dono do imóvel, alugou o espaço e aproveitou muito do que encontrou, cutelos, ganchos, pranchas, tabuleiro de preços, para a ambientação. Assim, o que era o Açougue Z virou o Z Carniceria, um boteco estilo bric-à-brac, que serve uma coxinha deliciosa, predileta do cantor Erasmo Carlos. A receita é um segredo da cozinheira Dadá: R$ 19,00. Coquetel Mad Butcher (vodka, licor de pessego, suco de maracujá, pimenta dedo de moça) R$ 15,90; caipirinha, R$ 12,90; cerveja long neck R$ 6,00. Som: jazz, rock, ska, beep bop, big bands, yê yê yê: vai, vai, Johnny! Vai, vai, Alfredo! Quem é da nossa gangue não tem medo!

Z Carniceria Rua Augusta 934 Centro Tel: (11) 2936-0934


Armando Serra Negra